Um garotinho chamado Rafael, adorava brincar de carrinho, bola, andar de bicicleta e balanço.
Era um garoto muito esperto e alegre. Um dia, foi acampar com uns amiguinhos. Passaram o dia fazendo bagunça, nadando num riacho de águas transparentes, jogando bola e procurando lenha para a fogueira que fariam a noite.
Quando a noite começou a cair, acenderam a fogueira, trouxeram panelas, alimentos, talheres, pratos; enfim, o necessário para um banquete na mata, e tudo sempre no meio de muita confusão.
Depois de tudo ajeitado, sentaram ao redor da fogueira, comeram, beberam e, após terminar o jantar, começaram a contar estórias de assombração.
Rafael foi o primeiro. Contou que uma noite, sozinho em casa, trancou tudo e foi para o seu quarto assistir TV. De repente, ouviu um barulho e foi ver o que era. Viu a janela da sala aberta e, lembrou que a havia fechado antes de deitar. Hummmm. Ficou com medo; mas, mesmo assim, foi até a cozinha com um dos chinelos na mão.
Ouviu o barulho mais forte agora; as pernas não obedeciam, as mãos tremiam e as batidas do coração parecia que iam estourar seus ouvidos. Quando conseguiu chegar a porta da cozinha, levantou o chinelo, acendeu a luz e deu um grito.
Quando Rafael viu o que era, gritou mais ainda, e já ia começar a correr de volta por onde viera quando “aquilo” o agarrou pela calça do pijama. O garoto não parava de gritar.
O que o segurava, ou melhor, quem o segurava, gritou-lhe para ficar quieto. Ele, imediatamente, reconheceu aquela voz: era sua irmã. Arriscou olhar para trás e, quase grita de novo olhando aquela cara coberta com uma meleca verde. Verde?
Furioso, perguntou o que ela fazia ali, toda verde, aquela hora da noite. Ela disse que havia esquecido a chave e, como ninguém atendera a porta, ela forçou a janela e entrou. Tomou seu banho, passou creme no rosto e foi até a cozinha pegar um copo de leite. Ela pensou que ele havia saído com seus pais.
Quando acabou a estória, todos riam e zombavam de Rafael. De repente, silêncio. Algo vinha na direção deles, quebrando galhos com seus pés. Todos se olharam e Rafael, muito sapeca e fingindo medo, apontou para o local de onde vinha o barulho. O susto e a correria foi geral; uns caíam, outros gritavam, outros se batiam tentando encontrar o melhor caminho até suas barracas.
Mas, num certo momento, em meio a toda confusão, viram que Rafael continuava sentado, dando boas gargalhadas. Voltaram e viram que ele e outro amiguinho haviam pregado uma peça no resto do acampamento.
Para vingar-se de Rafael e do outro, jogaram os dois no riacho. E, no final, todos resolveram entrar na água, para mais bagunça naquela noite quente e inesquecível.
PS.: Esta, escrevi em 2001 para o Rafa.....meu futuro boleiro.....atualmente, no Sub-13 do Esporte Clube Cruzeiro, de POA.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Estações do Ano
Com todo esse frio que se abateu sobre nosso Estado, ouço as pessoas reclamando o tempo inteiro e, claro, taxando de louco quem gosta de viver esse ar gelado, que chega a doer no rosto quando saímos à rua. Eu gosto de todas as estações, mas, reclamo de todas, também. Na primavera, é tempo de florescer tudo e minha rinite chega ao extremo, não consigo, por vezes, ficar sem espirrar uma manhã inteira e, nesse período até o perfume – algo que amo demais – me faz ficar com o nariz coçando tanto que, no final do dia, coitado, está todo vermelho e assado. Mas, entre ficar com o nariz assim e sem meus cheiros favoritos, prefiro sair toda no perfume, afinal, a primavera passa rápido e meu nariz não vai cair por causa de uns cheirinhos a mais. No outono, é aquele arzinho de “nunca se sabe que tipo de roupa colocar”, porque pela manhã é refrescante, a tarde fica um pouco mais quentinho e, ao anoitecer, esfria de novo, então, nosso corpo agradece tanta indecisão e responde com resfriados e mais rinite. O verão....ah, o verão...esse é o período que a maioria das pessoas espera com ansiedade, momento de livrar o corpo das roupas pesadas, colocar as rachadurinhas dos pés para fora, depilar pernas, tomar mais líquido para entrar no biquíni, ir para o happy hour, estar sempre de bom humor e com ótimo astral...but....o calor infernal é insuportável. Se for proprietário de uma casa na praia, onde pode sair correndo quando o calor aperta, aí sim, isso é saber viver o calor do verão; mas, se tiver que ficar na cidade, debaixo de sol, trabalhando para poder receber no final do mês, aí são outros quinhentos, tudo muda de figura, o verão passa a ser nosso moinho de vento, porque como Don Quixote, travaremos batalhas para que não sejamos derretidos pelo nosso próprio suor. Apesar de ser uma estação super prá cima, ela me deixa cansada, pesada (sei que tenho alguns quilinhos a perder, mas, é “pesada” pelo calor messssmoooo) e, na hora de ir para o trabalho, o jeito é correr para dentro da lotação, com aquele arzinho gelado, que nos faz querer ficar por ali o dia todo. O inverno é muito castigante pelos nossos pagos: levantar de manhã dói, lavar o rosto dói, tomar banho dói, sair de casa dói, enfim, respirar dói. Só que, com um olhar um pouco mais observador, percebo que as pessoas andam mais chiques, mais arrumadas, combinam mantas, botas, chapéus, luvas. Perdem mais tempo se produzindo – até porque, o frio pede muito mais agasalhos; cuidam mais da aparência - afinal, a maquiagem não vai chegar ao final do dia toda escorrida pelo rosto, como quando estamos no verão. O perfume já não causa tanto estrago ao meu olfato, mas, minha garganta, ao contrário, ao primeiro sinal de algo um pouco mais frio do que a temperatura ambiente, já se esgaça de frescura e começa a me incomodar, fazendo com que eu fique tossindo que nem cachorro louco e me deixando, por alguns dias, sem voz e, nos dias seguintes, com uma voz mais grave, sexy, até – dessa parte, eu gosto...rsrsrsrsr. Resumindo: acho ótimo termos 04 estações, mesmo que, em algum momento do ano, tenhamos as 04 em um só dia. Passar pelas 04 estações do ano, é como vencer uma corrida contra o tempo, pois sabemos que mais um ano se foi, que conseguimos curtir cada uma delas de acordo com o que nos era exigido e, principalmente, que em cada uma os aromas foram absorvidos, as mudanças foram percebidas e vivemos momentos de plena interação com a natureza. E, o mais importante, descobrimos que estamos vivos, esperando a próximo estação e, claro, com todas as reclamações e choradeiras de todos os anos.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
A Páscoa de Gabriel
Havia um menino chamado Gabriel, que não gostava de Páscoa. Achava tudo sem graça e dizia não acreditar que coelhinhos traziam ovos de chocolate.
Na escola todos faziam preparativos para a Páscoa: faziam cestas, coloriam ovos, recortavam orelhinhas de papelão, pintavam o rosto. E, Gabriel quieto, sentado em um canto, sem se envolver com nada.
Quando chegou a Véspera da Páscoa, ele foi visitar sua avó, que morava no interior. A vovó, claro, fez uma festa para Gabriel: havia doces, bolo, bala; enfim, muitas coisas boas.
A noite, sentados em frente a lareira, Gabriel falou para a vovó que não sabia porque todo mundo falava em Coelhinho; para ele, tudo era um monte de besteira. A avó olhou para ele e disse que, acreditar ou não, dependia de cada um e, que a Páscoa não era apenas “ovos” e “coelhinho”; ela significava o renascimento, a nova vida.
Ele disse que quando era menor, havia ganho um coelho de seu pai. O bichinho era muito amado e bem cuidado; mas, em uma Páscoa, há muito tempo atrás, infelizmente, ele fugiu. Para Gabriel, foi uma tristeza só, pois, o bichinho era sua maior alegria. Desde então, ele não gostava mais de comemorar a Páscoa.
A vovó olhou para aquele rostinho sério e pensou em como poderia ajudar aquele menino a superar essa tristeza. E, a noite foi embora.
Quando o menino acordou, no dia seguinte, deu um grito tão alto que a vovó, que preparava o café, foi correndo ao quarto do neto para ver o que estava acontecendo.
Quando chegou lá, o menino estava aos pulos no meio do quarto, com um bichinho branco nas mãos, com um nariz rosado e orelhas pontudas, olhando assustado para Gabriel. Ela chegou perto do neto, abraçou-o, e fez com que se acalmasse.
Ele olhou para a vovó, abraçou o coelhinho e disse que esta era a Páscoa mais maravilhosa da vida dele e nunca mais ele deixaria de comemorar este dia tão lindo.
A avó ficou muito satisfeita e agradeceu ao Papai do Céu a oportunidade de fazer seu netinho feliz, com aquele lindo coelho de Páscoa.
PS.: Foi escrita para o Gabriel, em 2001.
Na escola todos faziam preparativos para a Páscoa: faziam cestas, coloriam ovos, recortavam orelhinhas de papelão, pintavam o rosto. E, Gabriel quieto, sentado em um canto, sem se envolver com nada.
Quando chegou a Véspera da Páscoa, ele foi visitar sua avó, que morava no interior. A vovó, claro, fez uma festa para Gabriel: havia doces, bolo, bala; enfim, muitas coisas boas.
A noite, sentados em frente a lareira, Gabriel falou para a vovó que não sabia porque todo mundo falava em Coelhinho; para ele, tudo era um monte de besteira. A avó olhou para ele e disse que, acreditar ou não, dependia de cada um e, que a Páscoa não era apenas “ovos” e “coelhinho”; ela significava o renascimento, a nova vida.
Ele disse que quando era menor, havia ganho um coelho de seu pai. O bichinho era muito amado e bem cuidado; mas, em uma Páscoa, há muito tempo atrás, infelizmente, ele fugiu. Para Gabriel, foi uma tristeza só, pois, o bichinho era sua maior alegria. Desde então, ele não gostava mais de comemorar a Páscoa.
A vovó olhou para aquele rostinho sério e pensou em como poderia ajudar aquele menino a superar essa tristeza. E, a noite foi embora.
Quando o menino acordou, no dia seguinte, deu um grito tão alto que a vovó, que preparava o café, foi correndo ao quarto do neto para ver o que estava acontecendo.
Quando chegou lá, o menino estava aos pulos no meio do quarto, com um bichinho branco nas mãos, com um nariz rosado e orelhas pontudas, olhando assustado para Gabriel. Ela chegou perto do neto, abraçou-o, e fez com que se acalmasse.
Ele olhou para a vovó, abraçou o coelhinho e disse que esta era a Páscoa mais maravilhosa da vida dele e nunca mais ele deixaria de comemorar este dia tão lindo.
A avó ficou muito satisfeita e agradeceu ao Papai do Céu a oportunidade de fazer seu netinho feliz, com aquele lindo coelho de Páscoa.
PS.: Foi escrita para o Gabriel, em 2001.
Saudades da minha mãe!!
Hoje, senti uma saudade imensa da minha mãe. Sabe aquela coisa de querer colo, de querer sentir o cheiro, ouvir a voz, sentir a presença? Pois, é.....hoje, bateu a saudade. Às vezes, fico olhando as pessoas na rua e, fico imaginando onde estarei daqui a alguns anos e, lembro que, há alguns pares de anos atrás, não me via sozinha, sem minha mãe ao meu lado, me chamando a atenção, me fazendo olhar para frente, levantando meu astral; me mostrando sempre que, por mais humilde que fossemos, o importante éramos ser limpos, justos e honestos e, principalmente, viver a vida com bom humor e muita fé. Em alguns momentos, me pego lembrando de momentos especiais e, claro, de outros que, mesmo dolorosos, marcaram muito, mas, me fizeram mais forte. Até nisso, ela foi especial, pois partiu e me deixou mais forte, mais madura, sabendo segurar algumas barras sem me desmanchar em lágrimas ou permitir que o pavor de apoderasse de mim. Minha mãe foi uma mulher inigualável – ao menos, para mim. Desde pequena trabalhou para ajudar a família, primeiro, em casa de família, “limpando bunda de criança”, como costumava dizer; depois, em fábricas e, por último, em um órgão do Estado – claro, que esse foi o melhor de todos...rsrsrsrs. Engravidou aos 17 anos, em uma época em que embarrigar nessa idade era quase como cometer um crime contra a honra da família, mas, por mais incrível que pareça, meus avós a apoiaram em tudo e, minha avó era osso duro de roer, hein...não era fácil lidar com ela (mas, era minha segunda mãe e, eu a amava muito). Só que meu pai, de livre e espontânea obrigatoriedade imposta pelo pai dele, casou. E, após 5 meses tendo uma mãe solteira, quando fechou os nove, minha mãe era devidamente uma senhora que seria uma “senhora esposa e mãe” e, futuramente, mãe de 03 meninas (uma veio a falecer logo após nascer). Passou muitos percalços junto com meu pai e durante 42 anos, foram companheiros, parceiros, cúmplices e formaram uma família que aprendeu a vencer suas batalhas na união e na harmonia, sempre com muito amor e respeito mútuos. Quando ficou doente e, passou a ter muitos outros problemas, nunca reclamou, sempre viveu cada dia do jeito que dava, sem deixar de perder a fé que possuía e, sinceramente, nunca perdeu a alegria e, essa, era a principal motivação para todos a que a cercavam. Quando foi embora, deixou um vazio imenso, uma dor que parecia nunca ter fim. A tristeza que se abateu sobre todos os que conviviam com ela era indescritível. Mas, o tempo foi passando, essa mesma dor foi diminuindo e, aos poucos, fomos aprendendo a viver sem essa presença que nos era tão importante e iluminada. A saudade será eterna, claro, pois, uma pessoa que viveu como ela: alegre, feliz, amiga, companheira e uma mãe maravilhosa, nunca será esquecida. E, hoje, num momento de carência materna, a saudade bateu forte. Senti saudades de voltar para casa e receber seu abraço; sentar no sofá assistindo tv, enquanto ela fazia crochê, tomando um chazinho com biscoitos e, sem prestar muita atenção no que passava no canal, ficar papeando sobre o dia que passou; saudades de quando entrava no meu quarto, quando já estava entrando na sonolência total, com a tv ligada e um livro caído por cima e, cuidadosamente, tirava meus óculos, guardava o livro e desligava a tv e, juro, saudade de quando chegava na porta do quarto, às 10 horas de uma manhã de sábado e, sem cerimônia, gritava “como é que é, Carla, não vai levantar hoje? Vamos lá, vamos lá....já é quase meio-dia!”. É, saudade é uma coisa estranha, pois, em certos momentos ela nos deixa sem chão, sem objetivos; mas, em outros, como esse que se abateu sobre mim, hoje, nos faz ver que as coisas acontecem quando têm que acontecer, para que possamos testar nossa fé e, principalmente, aprender a conviver com ausências amadas que, em um momento futuro (na minha concepção, claro), farão parte, novamente, de nossa vida e, aí, sim, esse reencontro será eterno.Muita luz no caminho dela. Sempre!!!
domingo, 1 de agosto de 2010
A Pancada
Era uma vez, um pequeno pássaro que vivia voando para todo lugar, pois não gostava de ficar parado e, por isso, nem amigos fazia. Seu nome era Leveza – não pesava nada e, se bobeasse, até o vento lhe carregava para longe.
Leveza gostava dessa vida livre, sem compromissos, só indo pra lá e pra cá, sem falar nada para ninguém: era sozinho, não tinha família.
Um dia, em uma tarde de muito frio e pouco vento, Leveza resolveu sair para procurar alimentos, pois sua despensa já estava quase vazia. Como ainda não era inverno, ele não viu nenhum problema em sair voando por aquela floresta. E se lá foi ele.
Depois de algum tempo voando, começou a sentir uma brisa mais forte, que o empurrava com força para frente; mas, não se importou, logo passaria e ele voltaria para casa. Mas, o a brisa virou um vento forte, mais forte e Leveza começou a ficar com medo; de repente, foi empurrado com tanta força que, sem conseguir evitar, acabou batendo em uma árvore e desmaiou.
Quando acordou, viu que estava em um lugar bem quentinho, com gente falando a sua volta. Foi virando a cabecinha dolorida para tentar ver onde estava, mas não reconheceu o lugar; fechou os olhos e adormeceu.
No dia seguinte, acordou sentindo-se bem melhor. Quando ia levantar, alguém entrou: era uma linda passarinha, com belos olhos verdes, cabelo amarelinho, penas deslumbrantes e cheirosas, com um bonito e limpo avental. Trazia um prato com algo fumegante e com um aroma de dar água na boca.
Ela olhou-o e perguntou como se sentia; ele respondeu que estava melhor e que depois da pancada do dia anterior, não se arriscaria mais a sair sem antes prestar atenção nos ventos. A passarinha disse se chamar “Pluma” e, que ele já estava ali há 05 dias.
Leveza tomou um susto: 5 dias? - Uau, quanto tempo, pensou ele! Pluma falou para não se preocupar, logo ficaria mais forte e poderia voar de volta para sua família e amigos, que deveriam estar preocupados com a ausência dele.
Ele prestou um pouco mais de atenção naquela bela passarinha e, pela primeira vez, sentiu o coração bater mais forte. Disse que não tinha ninguém, que morava só e como estava sempre voando, não tinha amigos.
Pluma, que também havia se interessado por ele, convidou-o, então, para ficar morando ali, junto com sua família e seus amigos. Ele pensou, pensou e resolveu aceitar, pois estava cansado de ser sozinho e, porque queria ficar perto daquela linda passarinha.
O tempo foi passando; Leveza se recuperou completamente e estava cada vez mais encantado por Pluma, assim como ela por ele. Todos gostavam de Leveza e gostariam que ele ficasse com Pluma.De tanto desejarem, ele acabou tomando coragem e pedindo a mão da meiga e tímida Pluma. Foi uma festança só o dia do casamento, todos felizes, brindando a alegria dos noivos que, até hoje, vivem muito felizes.
A Ovelhinha Tristonha
Num lugar bem distante da cidade, existia uma fazenda chamada “Alegria”. Lá havia muitos animais: porcos, cavalos, vacas, touros, galinhas, cães, gatos, pintos e uma linda e solitária ovelhinha.
A pobre ovelhinha sentia-se muito só, pois todos os outros animais tinham o papai, a mamãe ou, apenas um irmãozinho; mas, todos tinham alguém.
Todos a chamavam para brincar, tentando animá-la; mas, ela sempre preferia ficar no seu cantinho, sozinha.
Um dia, próximo a cerca da fazenda, apareceu um animal diferente, que ela nunca havia visto antes. Ele, vendo sua curiosidade, chamou-a. Lá foi a ovelhinha, toda simpática e faceira. Quando se aproximou da cerca, o estranho logo puxou-a e a colocou dentro de um enorme saco.
A coitadinha, com a surpresa, começou a gritar por socorro, mas era hora do almoço e todos os animais estavam se deliciando com sua comida. Ninguém a ouviria.
Não? Espere! O cachorro, guardião da casa, viu todo o movimento e reconheceu o lobo. Sem que ele percebesse, foi chamando os outros animais; e, um por um, foram cercando o lobo que, distraído tentando amarrar bem o saco com sua ovelha-almoço, nada percebeu.
Quando o lobo virou com o saco nas costas, levou um tremendo susto com aquele monte de bichos a sua volta. Soltou o saco e tentou fugir. Só tentou, pois o gatinho pulou nas suas costas, o porco deu-lhe uma focinhada nas canelas, as galinhas bicavam sua cabeça e pintinhos bicavam suas longas orelhas, o touro e vaca o cercavam e o cavalo, para completar o serviço, deu-lhe um dolorido coice no traseiro. Pobre lobo! Por essa, não esperava.
O melhor a fazer era esquecer ovelhas por muito tempo e, de tanto levar pancada, ficaria um bom tempo sem aparecer e sem sentar. Assim que deu, o lobo sai correndo, para nunca mais voltar.
A ovelhinha, já em segurança, agradeceu a todos e disse que, de agora em diante, seria parte dessa grande família e nunca mais sentiria falta de amigos ou irmãos, pois todos estavam ali, junto com ela.
O tempo passou e a ovelhinha nunca mais ficou sozinha, sendo para sempre uma ovelha alegre e feliz.
A Foquinha
A Foquinha Blue vivia no mar, rodeada de mariscos, estrelas-do-mar, peixes dourados, golfinhos e lindas sereias. Tudo era felicidade e alegria.Um dia, saindo de sua bela casinha na praia, a Foquinha percebeu algo diferente – tudo parecia tão cinzento, tão mal-cheiroso. O que havia acontecido? Onde estavam seus amigos?
Blue correu para a beira da praia, tentando encontrar alguém pelo caminho. Na beira do mar, parou, muito assustada com o que via – o mar, que ontem era azul com muitas espumas brancas, estava repleto de manchas escuras, coberto de garrafas plásticas e com um cheiro insuportável.
A Foquinha foi até a casa de um pescador amigo seu. Bateu na porta e o pescador, abrindo, deu-lhe um triste sorriso e, com o olhar mais triste ainda, absorveu toda a imensidão do mar. Mesmo sem ter perguntado nada, o pescador explicou à Blue que um navio havia derramado óleo no mar, matando muito da vida marinha que havia ali; mas, alguns de seus amiguinhos haviam ido embora e ela deveria fazer o mesmo. Ele já estava indo, também.
Chorosa, Blue voltou para casa, arrumou suas coisas e saiu à procura de seus amigos e de um novo lar.
Quando chegou no outro lado da ilha, encontrou todos os seus amigos tentando recomeçar a vida naquele lugar lindo e intocado, ainda, pelo homem.
Mais tarde, sentaram-se todos na beira do mar, conversando e olhando além do horizonte, tentando fazer seus desejos virarem realidade.Depois de muito tempo passado, a Foquinha Blue conta, ainda hoje, esta mesma estória para seus netos e para os netos do pescador, para que eles, quem sabe um dia, consigam pôr um pouco de amor à natureza no coração dos homens e tornar realidade seus sonhos e de seus amigos: o respeito da humanidade pelo espaço livre de poluição a que todo animal, e o próprio homem, têm direito.
PS.: Escrevi essa estória em 99 e, em 2010, poluir o mar e mexer com a natureza, ainda é uma das coisas que o homem não consegue evitar. Infelizmente!
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