Outro dia escrevi sobre estar
“quase” na Melhor Idade e, depois de ler e reler o texto, percebi que, apesar
de ser bom envelhecer com maturidade, tranqüilidade e um pouco de experiência,
o ruim de chegar a idade - onde achamos que já sabemos tudo da vida, é que começamos a ver o mundo menos bonito,
menos colorido, menos inocente. Fico vendo as pessoas mais velhas sendo
diretas, dizendo o que pensam sem se importar se magoam o outro ou não e, somos
assim mesmo, tiramos proveito dessa “dita” experiência para soltar o verbo,
despejar tudo o que nos incomoda no outro – ou quem sabe, nos mata de inveja. Os
mais velhos criticam o jeito do jovem vestir, falar, andar, jogar o cabelo para
todos os lados, sentar, enfim, tudo o que não podiam fazer em sua juventude,
pois, eram duramente fiscalizados por padrões extremamente rígidos e que
tolhiam até seu jeito de pensar. Algumas pessoas de mais idade conseguem
acompanhar essas mudanças, essa modernidade que nos enfiam goela abaixo e que, usada
de maneira saudável, tem seu proveito. Mas, outras, não conseguem se adequar a
tanta liberdade de expressão, tanta coisa explícita esfregada sem pudor em seus
rostos repletos de rugas de repressão, de receio de aceitar o novo, o atual. E,
em algumas coisas concordo que há liberdade demais e controle de menos, mas,
tudo é fase, tudo é uma questão de boa vontade e de permitir que o novo entre
em nossa vida. O jeito é levarmos tudo com muito bom humor, afinal, o jovem de
hoje será o idoso de amanhã e, certamente, pensará exatamente como pensamos
hoje. Não vamos reprimir nossos pensamentos, até porque, a expectativa de vida
aumentou muito, então, teremos que conviver com muita coisa que não nos agradará
e, no fundo, só nós, mais “experientes”, sabemos que a juventude é um sopro na
nossa vida, passa rápido, então, deixemos a vida se encarregar de cada um de nós,
o jovem e o idoso e, quem sabe, um dia encontremos o ponto de equilíbrio para
uma convivência aceitável e tolerância diária. Ótima idade a todos.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
2014...Chegou....
Já em 2014....Tenho até um pouco de medo de lembrar que já se passaram 2014 anos e que, desses 2014, eu tenho 51....Ai, mesmo me achando uma "Boa Idéia", não ando tonteando ninguém ultimamente e, muito menos, deixando de lembrar que a dita Melhor Idade, está batendo a minha porta. E, colocando no papel, percebo porque nunca gostei de tudo escancarado dentro de casa: janelas, portas, basculantes.....para, quem sabe, essa tal melhor idade se atrasar um pouco, me deixar ainda curtir um pouco mais os movimentos do corpo que, mesmo não sendo tão abruptos e fáceis como na juventude, ainda me fazem sentir jovem porque consigo pular, saltar, dançar, coçar as costas sem ter que me esfregar no batente da porta, consigo pegar a ponta do pé sem gemer de dor....enfim, ainda sou dona dos meus movimentos. Mas, 2014 já está aí....Meus 52 quase chegando também e, o que quero dizer é que, apesar de tantos percalços, tantos entraves que vivi em 2013, foi um ano que me fez acordar para a vida; me fez perceber que, basta estar viva para sofrer decepções, dar gargalhadas da própria falta de sorte, fortalecer laços, cortar vínculos, descobrir forças dentro de mim que não imaginava existir, solidificar minha fé. Foi um ano em que percebi, também, que meu pai, apesar dos 81 anos da Melhor Idade e de ter perdido a companheira de uma vida inteira, há 10 anos atrás, descobriu, novamente, motivos para cantarolar no banheiro e sorrir sem motivos. Enfim, tudo o que passamos é para nos deixar mais fortes, esperançosos e, com a certeza de que tudo o que está guardado para nós, chega no momento certo; não precisamos correr atrás de nada, não precisamos deixar o desespero se apoderar de nós. E, se nossa fé nos move para a frente, mantém nossa mente aberta, nos dá a certeza de que, mesmo no meio do furacão, tudo vai dar certo, então, que 2014 traga coisas boas, paz, mais humanidade, humildade e me faça viver cada dia do novo ano com a esperança redobrada e alegria por acordar a cada nova manhã, me sentindo abençoada por viver há 51 anos cada Ano Novo que se apresenta....FELIZ 2014 A TODOS NOS!!!!
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Um Ano e Meio Apaixonado!

Faz
um ano e meio que gosto dela e, agora que ela me deu uma chance, não posso ir
embora...”. Achei a frase muito interessante
e, mais ainda, por ter sido proferida por um homem – não que eu seja feminista
e ache que homens não podem sentir isso, mas, é engraçado eles ficarem um pouco
mais amolecidos quando descobrem o amor. Depois de ouvir a frase e ficar com
ela na cabeça até chegar em casa e, claro, dissertar sobre o assunto, vieram
outras questões e, que me pegaram de jeito: como um sentimento tão profundo,
tão desejoso de ser sentido por muitos, pode ficar tanto tempo aprisionado
dentro de alguém? Como se consegue “guardar” o amor? E, a pessoa objeto de todo
esse sentir, não percebe os sinais? Não acompanha o pulsar desse bater tão
descompassado? Para mim, quando se ama, isso fica estampado no rosto, nas
atitudes, no jeito de vestir, falar, sei lá – na verdade, nunca amei; só me
apaixonei, me enrolei, me perdi, me achei, me decepcionei e
desisti....rsrsrsrssr. Mas, voltando ao tema, ficaram várias coisas no ar e, se
essa relação não é vivida, acabamos nos perdendo em fugas para esquecer a
pessoa pela qual dedicamos esse sentimento? como um ser apaixonado vive esse
sentir enquanto não conquista a pessoa pela qual seu sono foge, seus sonhos
viajam? Como viver tentando saber o que outro faz, com quem está, enquanto não
se rende ao nosso toque? Dizem que amar é fácil. Acho que não (novamente afirmo
- nunca amei, tenho certeza): amar é um teste de paciência; é aprender o passo
a passo da conquista; é querer conhecer o outro e desconhecer a nós mesmos; é
buscar a perfeição onde ela não existe; é olhar com os olhos do coração, do envolvimento
desmedido e, algumas vezes, anular nosso sentir em prol desse amor que queremos
exaltar, que sonhamos viver intensa e loucamente. E, se queremos tudo isso,
como calar essa emoção por tanto tempo?
Um ano e meio, para quem ama, deve parecer uma eternidade; esse
sentimento unilateral não é regado, não é vivenciado, não recebe a atenção que
merece e precisa, então, como ele se enraíza dentro de nós? Como fazer esse
amor sobreviver quando, aquele que ama, não consegue dizer ao ser amado que
esse sentimento existe e que está ali, pronto para ser colhido e sair pelos
nossos olhos, para que a vida seja vista com olhos de amor e sonho diário? Enfim,
realmente, amar não é fácil, mas, o mais difícil é não permitirmos que esse
sentimento nasça dentro de nós, por medo de sofrer e, quem sabe, por medo de
não saber o que fazer quando o sentimento for recíproco. Boa sorte para o cara que conquistou a amada,
depois de um ano e meio, mesmo correndo o risco da “chance” dada não ser bem
aproveitada.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Cadê Meu Sono?????

Embalada pelo som da falecida, mas, não menos maravilhosa, Whitney Houston, cantando “Run To You”, tentava encontrar o sono que, à 1h30min, resolveu fugir de mim, entre a hora que deitei, dei umas cochiladas e acordei para tomar banho. E, enquanto a Diva Houston “corria para alguém”, com aquele timbre de voz que parecia um anjo cantando - e, sinceramente, não consegui entender como alguém poderia fugir de tudo aquilo (claro que tinha problemas com drogas, álcool, insegurança, loucura, etc...bem, isso não vem ao caso...deixa quieto), eu corria atrás do meu soninho, daquele momento em que meu sonhos se tornavam um pouco mais reais. Virei para cá, virei para lá e, nada. Música vai, música vem e, nada. Meu sono resolveu ir pelo ralo, misturado a espuma do sabonete do banho e ao creme dental depois da escovação. Claro que, mente vazia cria situações, inventa bobagens, quer descobrir soluções e, eu não sou diferente. Enquanto estava com os olhos abertos, o corpo agitado, tentando encontrar um foco, meu cachorro roncava, dormindo o sono dos animais inocentes. Que raiva! Deu uma vontade de cutucá-lo e fazer me acompanhar na madrugada insone, mas, não sou má: deixei o bichinho continuar seu sono de beleza canina. E, no vazio mental da madrugada, pensei em como se pode perder algo tão nosso? É muita falta de noção perder o sono no meio da noite, deitada, sem ninguém em volta.....é “mosquice” demais, né???? Será que, de repente, resolve fugir da tua cabeça, driblar teu cérebro e ir para a balada? E, se meu cérebro tiver uma idade diferente da minha? Se ele for o baladeiro que eu não sou? Será que, quando se perde o sono, é um aviso de que precisamos acordar para a vida? Ai, quanta besteira se pensa em um momento como esse. Mas, se é normal perder o sono, não é legal ele voltar quase na hora de levantarmos. É muita cachorrice! E, quando deram as 12 badaladas do relógio da torre...ops, desculpe...- divagações loucas - quando a Rihanna gritou, às 06h30, dei um tapa nela, quer dizer, no telefone e fiz aquela vaca calar a boca e me deixar dormir mais um pouco, aproveitar minha caminha, afundar a cabeça no meu travesseiro não feito de penas de ganso.....enfim, acabei esticando bem mais que o tempo permitido o sono que voltou para casa depois das 04 da manhã. Ordinário! Quando o corpo decidiu que era hora de levantar, fui escorregando, escorregando e consegui sentar, mas, a cabeça continuava lá, babando nas cobertas. Mas, não tinha escolha: levantei, tomei banho, passei algo no rosto para disfarçar a olheira, me arrumei e enfiei um óculos escuro no rosto e, voilá, pronta para encarar o dia, o trânsito, o trabalho e gente chata.....Já meio recuperada, depois de um balde de café, cá estou, sentada, escrevendo sobre a noite que ficou para trás e, sinceramente, que minha insônia, também tenha ficado quieta lá e me esqueça, porque o que mais gosto, é deitar a cabeça no travesseiro e dormir, relaxada e descansadamente.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Beijando o Chão

Andei caindo. De novo! Não tenho osteoporose – fiz uma “densitoalgumacoisaóssea”
e deu tudo bem e, segundo minha ginecologista, tenho osso sobrando. Não tenho
labirintite ou qualquer coisa que possa me apagar, tirar do ar e me fazer cair
de boca no chão. Na verdade, o que aconteceu foi uma fatalidade ou, na verdade,
um pouco de falta de noção de espaço entre minha canela e um maldito sofá. Fui
fazer um favor no intervalo de almoço – coisa que nunca fiz e, agora, nunca
mais farei – e, acabei no HPS, com 09 pontos na testa, 02 vacinas e dores no
corpo inteiro, por mais de duas semanas. O que aconteceu foi que, saindo da
copa de onde trabalho, tentando encaixar a tampa da garrafa térmica mal acabada
cheia de água quente para um infeliz que queria “tomar chimarrão”, bati com a
canela numa porcaria de um sofá, colocado exatamente na saída da porta e que,
naquele dia, estava estrategicamente posicionado entre meu corpo e o chão. Caí
inteira, como um coco despencando de um coqueiro – coqueiro mínimo, porque não
sou um pessoa dotada de muitos centímetros de altura; parecia tudo em câmera
lenta e, ainda sinto um certo pavor só de lembrar da queda, do som da queda e,
claro, do resultado da queda. Incrível! Foi um tombo de cinema
(exagerada...rsrsrsrsrsr), daqueles em que o astro principal exige dublê para a
cena e, eu, fui a estrela e a dublê, fazendo papel duplo e, pior, que nem ao Framboesa
de Ouro vou concorrer. Bem, fiquei estendida, de corpo inteiro, ouvindo algumas
pessoas falando, sentia que vinham na minha direção, mas, eu só via o sangue
que pingava de algum lugar do meu rosto, direto para o chão. Fiquei paralisada
pensando de onde saía toda aquela sangüera mas, não tive tempo de pesquisar e, como sentia meu
nariz e minha boca normais, então, imaginei que seria de algum lugar acima do
nariz: a testa, claro. Me levantaram, ajudaram a sentar e estancaram o sangue
que escorria pelo meu rosto. Depois de me acalmarem, me levaram ao ambulatório -
que fica no térreo do prédio, para ver qual a extensão do estrago; lá,
perceberam que teria que levar pontos e me encaminharam ao HPS. Nove pontos!
Direto! Sem dó nem piedade. Fui muito bem atendida e, muito rapidamente, também;
o medico que me atendeu, conversou, me deixou relaxada e, depois de enxergar
algumas vezes aquela agulha indo e vindo em minha direção, em um momento de
comiseração, ele resolveu colocar um paninho no meu rosto, deixando só a testa
de fora, então, me senti em um episódio de Grey’s Anatomy – com o rosto
coberto, aquela luz forte dando “luz” para que o médico acertasse a “pontuação”
(meio exagerada a comparação, mas, a sensação foi essa mesma – quem estava lá
era eu, ok??). Tudo anestesiado, ponto vai, ponto vem e, de repente, ele diz: “Márcia,
se sentir dor, avisa”; eu, quieta. Aí, a voz, de novo: “Se estiver doendo,
avisa, ok, Márcia?” e, me dei conta de que era para mim que ele falava e, respondi:
“Carla, meu nome é Carla!”...Ficou meio sem jeito e disse: “Ah, por isso não
estava me respondendo.” Dããããã.....claro que não respondi, não era comigo; eu
não era a única na sala, vai que ele estivesse me suturando e falando com outra
e, pior, depois pensei: será que ele estava com a mulher certa? Será que estava
suturando o local correto?? Me deu vontade de levantar e dizer prá ele “Meu
nome não é Johnny...ops, Márcia” – seria engraçado ter um momento de indignação
com uma agulha pendurada na testa......Depois de tudo ajeitado, fui para casa,
salva e não muito sã; e, quando o corpo esfriou a realidade se descortinou à
minha frente: meu corpo inteiro doía – do lóbulo da orelha até o dedão do pé,
nada escapou. Se piscasse, doía; se sorrisse, doía; se pensasse, doía.....nunca
mais quero sentir isso, é horrível. Depois de algumas aplicações de pomadas
poderosas e fedorentas, comprimidos potentes para dor, fui fazer R-X da cabeça
é das costelas e, graças a Deus, não quebrei ou trinquei nada. A cabeça
continua no lugar, só com 02 riscos pequenos na testa, tipo Harry Potter e,
juro, arde quando alguém indesejável chega perto de mim, tipo Voldemort – inimigo
do bruxinho marcado. As costelas, pela força do impacto contra o chão,
continuam doloridas, mas, intactas. Na verdade, apesar da gravidade do tombo,
tenho que me sentir privilegiada, poderia ter sido pior: não quebrei nariz,
dentes e nem o óculos, que saltou longe da minha cara. Mais uma vez, isso veio
comprovar que tenho o corpo fechado e a proteção de santos muitos fortes que
gostam de mim. Que continuem assim e me tirem dessas armadilhas que pintarem no
meu caminho ou, melhor, no meio das minhas canelas.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Sonhos Reais
Estou
lendo um livro que fala de experiências de pessoas encarnadas com o mundo espírita, pessoas que receberam avisos,
visitas, proteção. Gosto de ler esse tipo de livro, me abre um pouco mais a
mente para o que a morte reserva e me deixa menos receosa de partir – mesmo que,
lá no fundo, um medinho continue existindo, até porque, acho que o espiritismo
não tem resposta para tudo. E, lendo as histórias relatadas no livro, percebi
que também passei por esse tipo de comunicação, por duas vezes. Minha avó
desencarnou em 1992, depois de ter ficado um bom tempo hospitalizada, em coma e
recebendo visitas em horários específicos e, claro, um parente de cada vez. No dia que desencarnou eu estava lá e recebi a
notícia, fiquei abalada, mesmo sabendo que ela estaria muito melhor do que
cheia de aparelhos, remédios, picadas de agulhas, etc., doeu muito. Eu era a
primeira neta, filha e sobrinha – fui o xodó da casa por quase 03 anos - até
minha irmã nascer e, minha avó, me tratava como filha, tinha orgulho de andar
comigo para cima e para baixo, me mostrar. Bem, ela partiu e a dor se instalou.
Fiquei triste por não ter conseguido falar com ela, de não ter conseguido me
despedir. Não sei bem quanto tempo depois de ter partido, sonhei com ela e, foi
tão real, tão verdadeiro, que acordei com a sensação de que ela tinha estado
ali para me dar tchau. No sonho, eu estava sentada em frente a minha casa e,
olhando para a casa da vizinha do lado – que já havia partido também muitos
anos antes da minha avó e, de repente, uma luz clareou o pátio e as duas foram
saindo pelo portão, passaram em frente a minha casa e eu pensei: “mas, a fulana
já morreu, porque ele está com a vó?”. As duas foram passando bem devagar, a
vizinha com o braço por cima dos ombros da minha avó, como se estivesse
aconchegando, dando força para seguir e, quando chegaram à praça que tem em
frente a minha casa, pararam, viraram para mim e, minha avó, bonita, como se
nunca tivesse ficado doente, me olhou, levantou o braço esquerdo e me acenou,
me deu tchau. Comecei a chorar e, acordei aos prantos porque soube, naquele
momento, que ela também havia partido com esse pesar, de não ter podido me
dizer adeus. Veio para me mostrar que estava bem e entre amigos. Raramente
sonho com ela, mas, às vezes, quando penso nela, sinto um cheiro forte de
jasmim, sua flor preferida e sei que está por perto. Outro momento marcante foi quando perdi minha
mãe. Era Natal, 00h40min, do dia 25/12/2003, quando ela faleceu e, minha
revolta foi enorme, a dor insuportável. Era minha “ídala”, minha referência como
mulher, era guerreira, não entregava os pontos. Passou por muitos percalços,
engravidou aos 17 anos, perdeu uma filha, enfrentou doenças e as conseqüências
que elas trouxeram, sempre de cabeça erguida e dando força para quem a cercava.
Poucas vezes a vi reclamar, se queixar da vida, chorar. Estava sempre de alto
astral, sempre pronta para a gargalhada, sempre disposta para os netos que tanto
amava. Mas, ela partiu. E, mais uma vez, me vi sem chão. E, de tanto querer
saber se estava bem, onde estava, com quem estava, sonhei com ela e, no sonho,
estava como aparece em uma foto quando tinha 17 anos, jovem, bonita, perfeita;
me recebeu toda sorridente e me mostrou o lugar. As casas todas de tijolinhos à
vista e com algumas partes pintadas de amarelo bem clarinho, não havia cercas,
apenas árvores enormes que pareciam delimitar o espaço entre elas; muitas
pessoas velhinhas – entre elas, uma senhora que chamávamos de vó e que morou
conosco, senti o cheiro do arroz com cebola que ela fazia e tudo era muito
real. Minha mãe foi me mostrando tudo, com muita calma e bom humor. Dentro da
casa onde disse morar, me mostrou os cômodos e perguntei se havia um quarto para
mim; ela me olhou e disse que ainda não era hora de eu ir para lá, era cedo
demais. Acordei chorando, claro. Mas, depois, percebi que ela respondeu ao meu
chamado, as minhas perguntas; veio me mostrar que estava bem e que tinha se
recuperado de tudo o que passou nesse plano. Sempre que sonho com ela, a vejo
exatamente como na primeira vez que sonhei e, dentro do meu coração, espero que
ela realmente esteja bem e em paz. Que receba sempre nosso amor, nossa saudade
e nossa oração. Ela foi um anjo em minha vida e me ensinou a ser a pessoa que
sou hoje: forte, destemida, guerreira e feliz comigo mesma. A saudade é eterna
mas os momentos que passamos juntas, nunca serão apagados; esses momentos são o
combustível que me leva nessa caminhada até nos reencontramos novamente na eternidade.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Nossos Monstros

Ontem
fui a uma palestra espírita e, a pessoa que palestrou, tinha uma energia e uma
positividade tão boas que envolveu a todos, de tal maneira, que ninguém sentiu
a hora passar. Percebi que o espiritismo não é formado somente por pessoas
sérias, que falam pausadamente e nos passam mensagens de fé e esperança – isso o
palestrante também fez, claro, mas, de uma maneira solta, leve e engraçada. O tema
foi interessante, porque ele conseguiu fazer um parâmetro entre nossos monstros
reais e a animação Monstros S.A. – onde a cidade dos monstros existe porque é
mantida pelo grito de susto das crianças, que têm na porta de seus roupeiros
uma ligação direta com a cidade assustadora. Na verdade, seriam os tão falados
e conhecidos “bichos-papães” (espero ter escrito de maneira correta), que
parecem estar sempre à espreita, esperando o momento certo para pular a nossa
frente e nos fazer tremer de medo. Sou totalmente leiga, mas, acho que o
espiritismo é uma forma de aplacar nossas dores, perdas e dúvidas; as leituras
nos fazem sentir que ainda existe esperança e ninguém está aqui por acaso; tudo
tem um sentido, um objetivo. Nossos “monstros”, segundo ele, ficam no nosso
perispírito**, como se fossem um carimbo de tudo o que fizemos e levaremos isso em
todas as nossas reencarnações – foi assim que entendi. No meu simplório conhecimento,
esses monstros ficam guardados em algum lugar do nosso cérebro que, imagino
fantasiosamente, seja feito de muitas caixinhas organizadas em ordem alfabética
e coloridas conforme o tema e, claro, esses tais monstros devem ficar na
caixinha com a letra M, de cor vermelha e escrita em Arial 12 (rsrsrsrsrsrsrs).
Mas, se temos esse conhecimento de que esses monstros existem, devemos tentar descobrir,
entender e resolver alguns, aqueles que mais incomodam ou nos prejudicam, para
numa próxima encarnação voltarmos mais leves e com menos pesares. Estou
adorando participar desses encontros, me sinto mais fortalecida, menos ansiosa
e começando a redescobrir minha esperança, minha fé. Sei que é preciso muito
mais que palestras para que nosso mundo melhore, mas, se nossa oração se
fortalece e encontra mais e mais pessoas dispostas a unir as forças do coração
para irradiar uma energia melhor, certamente, aos poucos, o dia-a-dia pode
ficar fácil de ser vivido e a compreensão do outro pode ser maior. Deus está em
todos os lugares porque nossa fé nos faz pensar assim, mas, nunca o vimos,
nunca encontramos com Ele, então, o amor também não é visto, não é “tocável”,
porque não praticá-lo todos os dias, sem duvidar de sua força? Uma ótima
leitura e espero não ter escrito nenhuma bobagem. Apenas segui meu coração.
**(Perispírito é o nome dado por Allan Kardec ao elo de
ligação entre o Espírito e o corpo físico. Quando o Espírito está desencarnado,
é o perispírito que lhe serve como meio de manifestação. É o que o Apóstolo Paulo
chamava de corpo espiritual -I Coríntios,XV,44
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