Adoro o verão... gosto da sensação de praia que parece pairar sobre a cidade, mesmo rodeada de tijolos e paralelepípedos, emanando ondas de calor e, mesmo sufocante, esse calor faz as pessoas parecerem mais dispostas a sair, a aproveitar cada momento do dia e, principalmente, da noite. Sei, também, que na cidade o calor é muito maior que no litoral – lá a brisa é fresca, o cheiro da maresia enche nossos pulmões, o barulho das ondas acaricia nossos ouvidos. Mas, com muita disposição, podemos trazer todas essas sensações para a cidade, porque só assim, dá para suportar nosso verão escaldante, impiedoso, com dias de arvoredos completamente imóveis, quase sem vida; momentos em que nem o vento quente do ventilador nos faz esquecer que é verão e, a intimidade com os mosquitos fica mais visível. Aliás, esses bichinhos são insuportáveis, quase demoníacos... conseguem driblar qualquer inseticida que borrifamos por toda a casa...e, conseguiram fazer com que eu quase me intoxicasse em uma dessas borrifadas. Enfim, verão é sinônimo de muito calor e muito inseticida, mas, também, acontece nos meses mais celebrados do calendário e, o mesmo sol que nos faz sofrer com o calor, nos dá energia para acordar cedo e viver o dia, planejar a noite e deitar a cabeça no travesseiro sentindo que a vida continua pulsando dentro de nós, mesmo que o ventilador não seja suficiente para aplacar nossa noite de calor e muitos mosquitos....
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Gata no Cio
Tenho uma amiga que tem uma gata e, segundo ela, não a deixa dormir há dois dias porque anda miando enlouquecidamente, pois, entrou no cio – a gata, ok??? Fiquei pensando se isso ocorresse conosco, humanos, como seria: gritos desesperados na madrugada, ligações doidas para homens escolhidos aleatoriamente na lista telefônica, entradas em chats variados para um sexo louco e virtual??? Será que seríamos como esses gatos que parecem estar em uma batalha corporal, miando ruidosamente, correndo atrás um do outro para, depois de muita confusão, entregar-se ao óbvio: momentos de prazer carnal, mesmo que cheio de arranhões e hematomas???? Na verdade, deve ter muitos humanos que agem assim, que fazem do sexo uma batalha, para ver quem pode mais, quem dá mais prazer, quem tem mais imaginação na hora de mostrar a desenvoltura na cama. E, para nós, isso faz sentido, isso nos deixa mais - ou menos, seguros de nossos sentimentos, de nossa maneira de viver o sexo, seja ele casual ou não. Mas, e os animais, qual o significado do sexo para eles, além da reprodução? O que importa, no fundo, é que sendo bicho ou não, todos entramos no cio, todos buscamos nosso “sexo animal”, mesmo que por uma única noite, desde que a cama seja macia e a companhia interessante.
Reinaugurando o fogão
Reinaugurei meu fogão ... depois de uma semana fechadinho, comecei a cozinhar, novamente. Explico: meu pai foi para a praia, eu entrei em férias, então, não tinha porque ficar cozinhando só prá mim; limpei, fechei e coloquei até guardanapinho prá enfeitar. Meu pai está voltando e preciso acordar meu lado culinário preguiçoso e voltar a cozinhar ...mesmo que não tenha muita disposição para isso, mas, preciso fazer coisas saudáveis. Fiquei 08 dias sozinha – eu e o cachorro – e, sinceramente, gostei de não ter horário prá nada, não ter que ficar pensando no cardápio do dia, não ter que me preocupar com nada mesmo. Só que não é bom ficar realmente sozinho, não ter com quem se preocupar ou para quem fazer alguma coisa...enfim, senti saudades do meu pai. E, ele voltando, a rotina volta ao normal. O cachorro também está com saudades. Então, a partir de hoje, volto ao fogão e a vida em família, à normalidade. Ótima segunda.
Voltando ao Natal
Consegui tirar uns dias de descanso, aqueles dias que chegam na hora certa, onde uma palavra mais “torta” pode desencadear um possível “sesampecídio”, onde todos os servidores (tirando apenas aqueles colegas especiais) seriam trancafiados em uma sala e esquecidos por lá, até terminar o ano ou, quem sabe, o governo todo. Mas, o que importa aqui, é que estou em casa, curtindo minha companhia, aproveitando para ajeitar a casa, colocar algumas tralhas no lixo e, visitar algumas casas. Essa época, geralmente, me deixa muito prá baixo, muito irritada, mas, por incrível que pareça, estou me sentindo bem, me sentindo um pouco prá cima, com vontade de viver essas festas, de compartilhar momentos legais com família e amigos. Como sei bem como passei meus 07 últimos Natais, essa sensação de bem-estar me deixa muito satisfeita comigo mesma e, me fez até querer dar uma enfeitada natalina – bem básica, na casa. Acho que todos esses anos em que me envolvi comigo mesma, com a minha dor, com a minha falta de Natal no coração, me fizeram perceber o que muitas pessoas deveriam já ter percebido: é um momento de união, de paz interior, de buscar coisas e sentimentos perdidos dentro de nós mesmos. Já corri muito para tentar achar o presente perfeito para essa ou aquela pessoa, já gastei o que tinha e o que não tinha para presentear esse ou aquele; hoje, não vou deixar de dar uma lembrancinha, mas, o mais importante para mim, é poder estar ao lado das pessoas que amo, das pessoas que me fazem sentir que a vida vale a pena, que momentos como esse são únicos e insubstituíveis e que, o tal espírito natalino, aos poucos, está voltando a habitar em mim. Desejo que o Natal possa, realmente, abrir uma brecha nos corações mais endurecidos pelos revezes da vida, que deixe mais alegre as almas naturalmente felizes com essa época e que traga mais fé e paz a quem acredita que, mesmo sendo Natal todos os anos, cada Natal é um Natal diferente e especial. Que minha mãe e meus avós tenham um Natal Espiritual de muita luz.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Mais um Final de Ano
Alguém percebeu que o ano está chegando ao final???? Não consigo acreditar que estamos em novembro....não vi o ano passar, não senti os meses iniciarem e muito menos chegar ao fim....onde eu estava: hibernando???? Fico apavorada com a pressa de tudo e, do tempo, mais ainda. Me assusta estar acabando o ano e eu não ter realizado nenhum objetivo que, aliás, nem sei se tinha algum para 2011; enfim, o ano está chegando ao seu final e os sonhos que algumas pessoas possam ter construído para ele, também estão com seu prazo de validade esgotando. Mas, não vou deixar a visão que tenho dos meses de novembro e dezembro tomar conta do meu modo de ver o resto dos dias que tive. Na verdade, o ano foi cheio de altos e baixos, com algumas situações boas e outras nem tanto, mas, está passando e, como em todos os outros finais de ano, aquela velha coisa da lista de desejos para 2012 começa a virar uma corrente desesperada nas pessoas, que tentam olhar com olhos de esperança o novo ano que vem chegando. Quem me conhece sabe que não curto Natal; na verdade, já curti mais esse momento em família, ao lado das pessoas que nos são mais caras e nos preenchem, compreendem e estendem os braços; hoje, eu tento não me envolver muito com a comemoração toda e, se puder, dou um jeitinho de “meia-noite e um” estar deitada na minha cama, buscando o conforto nos bons sonhos que ainda tenho. Só que, no ano-novo, gostaria de ficar acordada, bebendo, conversando, dando boas gargalhadas, sem me preocupar com o sono, com o que está acontecendo ao redor do mundo; queria só deixar os minutos correrem e não me preocupar que o dia seguinte será um novo ano. Vou me esforçar para ter essa passagem de ano, quem sabe, isso abra meus caminhos para um 2012 mais despreocupado e menos cansativo profissionalmente..2011 não foi um ano de todo errado; foi, apenas, um ano em que várias coisas não deram certo e que, no próximo, espero acertar.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
O Fim
Na segunda-feira, indo para o trabalho, presenciei uma cena chocante, em plena Avenida Farrapos e, como diz o trecho de uma música antiga: “tá lá o corpo estendido no chão...”. Não vi o corpo porque meu estômago não seguraria o café tão bem sorvido antes de sair; mas, vi a confusão formada pelo número de curiosos, acotovelados, tentando saber como havia acontecido o acidente, em que estado havia ficado o corpo; na verdade, um bando de urubus esperando o momento certo para atacar. Diante de todo aquele caos, em pleno início de manhã, fiquei me questionando o quanto somos pequenos, o quanto somos insignificantes nesse imenso universo, recheado de loucuras e tragédias. Quem vai sair de casa imaginando que, no meio do caminho, será atropelado por um caminhão, dirigido por um motorista que diz ter perdido a direção porque teve um mal súbito? Como podemos imaginar que, o simples gesto de levantar da cama pela manhã, pode ser o início do fim da nossa vida, o fim de nossa caminhada nesse plano? Quem vai se despedir de quem ama porque pode não voltar para casa? Fiquei pensando em tudo isso e, sinceramente, não existem respostas; não existem indícios de quando isso vai acontecer. Imaginei o que deve ter passado pela cabeça da pessoa que foi atingida por esse caminhão, de maneira estúpida e brusca; será que sentiu dor, sentiu medo, pensou que poderia se salvar, pensou nas pessoas que deixaria para trás? E, o motorista, não poderia ter desviado o caminhão para o outro lado? Sentiu-se mal mesmo ou foi a desculpa que deu para tirar a culpa da consciência? Como se sentiu depois do que aconteceu? A família do rapaz atropelado conseguirá superar a perda? São muitos questionamentos para situações que, infelizmente, tornaram-se corriqueiras nesse mundo atual em que vivemos, onde a pressa de chegar é mais importante que respeitar o sinal e, principalmente, respeitar a vida do próximo; onde “passar por cima de alguém” deixou de ser expressão para tornar-se uma estatística da dura realidade que é andar fora ou dentro dos grandes centros. Em segundos várias coisas podem ser feitas e eu, por exemplo, ia para o trabalho, alguém abria as portas de um estabelecimento qualquer, as crianças saíam para a escola e, esse rapaz, nesses mesmos segundos, de maneira estúpida, perdia a vida. Nesses momentos, realmente, percebo que a vida é curta demais e o mundo, povoado por pessoas que esquecem que viver é a base de tudo.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Cochilo e Ronco
Ando me sentindo meio que uma “Bela Adormecida” da meia-idade: só durmo, durmo e durmo; o único Príncipe Encantado que tem me acordado é o meu próprio ronco – fui no google para achar uma palavra mais bonitinha, mas, não encontrei nada que pudesse florear esse barulho que parece um monstro acordando de sua sonolência e querendo sair de dentro de nós, interrompendo nosso sono e sonhos, de maneira muito desagradável e assustadora. Mas, ando dormindo demais e, são cochilos que me dão a sensação de que dormi horas e horas, sem acordar nem para ir ao banheiro, mesmo que tenha dados vários cochilos durante uma única tarde, acordando ás vezes para virar de lado, para ver se ainda está passando o mesmo programa que estava olhando antes de cochilar ou, apenas para saber se ainda é dia. Enfim, só senti esse tipo de sonolência quando perdi minha mãe, porque a perda nos deixa estressados, nos traz a sensação de insegurança e a certeza da não-eternidade terrena; mas, no momento atual, Graças a Deus, não perdi ninguém (e espero que isso não aconteça por uns bons pares de anos, ainda), estou cansada de algumas situações, estressada com algumas pessoas, magoada com outras, indignada com outras tantas coisas. Final de ano chegando, começa aquela baboseira de ficar lembrando como foi o ano, onde erramos, quem ofendemos, o que fizemos de bom, o que construímos para nós mesmos, o que destruímos para os outros...enfim, tudo se repete sempre da mesma maneira. Na TV, vai ter o noningentésimo octogésimo quinto (985º) show do Rei – com as mesmas rosas brancas e o mesmo repertório dessas 985 vezes; o Papa vai rezar a missa para milhões de fiéis que mal o enxergam no lugar de onde realiza o culto; as televisões farão as retrospectivas do ano que está acabando – umas enfeitarão mais que as outras, outras pintarão um quadro mais feio, na eterna rivalidade televisiva, tentando chocar – mais ou menos, mas, o objetivo é sempre o mesmo: chocar. E, começam as previsões para o próximo ano, com ênfase em 21/12/2012 – final dos tempos, segundo o povo maia...Enfim, tudo isso vai se acumulando na minha cabeça, enviando mensagens loucas para o meu cérebro, cutucando meus neurônios e minha única saída é dormir, deixar meu sono me levar a lugares onde eu gostaria de estar, onde eu gostaria de ficar por um bom tempo, sem ser incomodada, só no relaxamento total, mesmo que esse sono sejam meros cochilos interrompidos por sonoros roncos. Esse ano que está acabando foi muito cansativo, pesado, me deixando com a sensação de que faltou alguma coisa, sobraram problemas, perdemos alguns rumos e erramos vários caminhos, mas, não assassinamos a vontade eterna de acertar, de encontrar a nossa estrada de tijolos amarelos para o nosso aconchego. Ainda temos os meses de novembro e dezembro para enfrentar e, juro, vou tentar melhorar o ânimo; não prometo ficar acordada o tempo todo, mas, espero que meu ronco me tire do mundo dos sonhos, mesmo que atrapalhe alguns poucos sonhos bons e interessantes que venha a ter, pois, esse será o sinal de que ainda estou viva e pronta para o próximo ano que está chegando e, sinceramente, espero que BEM ACORDADA!
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