quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Emoções Matinais


Realmente, o centro de POA nos proporciona emoções fortes já nas primeiras horas da manhã...Um carregador de engradados com refrigerantes, simplesmente, deixa as caixas se espatifarem sem dó nem piedade, perdendo muito líquido da preciosa carga...Mais adiante, dois moradores de rua se engalfinham - um tentando reaver algo que o outro subtraiu de um terceiro, de idade mais avançada mas, não menos valente, porque foi atrás e queria que a coisa se resolvesse somente entre ele e o "furtador", chamando o trombada para a briga. Muita emoção, né??? E, no clarão que se abriu em plena parada de ônibus, surgiu o cara do "deixa disso", em forma de um homem trabalhado no rastafari e com quase 2 metros de altura. Tudo se acalmou e, pelo que pude perceber, o roubado recuperou o seu pertence, o "roubante" continuou seu caminho e o cara que ajudou não virou herói....Herói, para mim, foi o cara do rastafari que teve peito para entrar no meio de dois caras que, infelizmente, pelo olhar da sociedade, não tem nada a perder e poderiam ter qualquer tipo de arma para se defender. Mas, apesar de serem moradores de rua, ele olhou os dois com olhos de humanidade, de solidariedade, sem preconceito ou discriminação, mesmo que um, aparentemente, tenha cometido um delito. Enfim, tudo parece ter se ajeitado. O ônibus chegou , graças a Deus....Não gosto de ver gente se batendo numa fúria selvagem, não importa o motivo, cenas assim não me fazem bem . Ah, os cacos das garrafas de refri estavam sendo recolhidos, o roubado passou faceiro pela vitória sobre o "roubante" e, a polícia......Oi????

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Reflexões do ano

As velhas e boas reflexões de final de ano estão de volta.....Me vi repensando o ano que passou e, graças a Deus, foi um ano muito bom...Especial, eu diria. Iniciei uma nova etapa na minha vida profissional e, até o momento (desejando que perdure por muito mais tempo), tudo está bem; estou me sentindo relaxada, tranqüila, com vontade de trabalhar, sem preguiça de levantar pela manhã e ficar me maldizendo por ter que sair de casa. Muitas coisas boas aconteceram, novos conhecimentos, novas pessoas, afastamentos, relações cortadas. Aliás, essa parte das relações cortadas, ficou muito tempo na minha cabeça e eu tentando achar onde errei, descobrir a bobagem que fiz para essas pessoas saírem da minha vida. E, amizades com muitos anos de duração acabam virando quase um relacionamento e, como em um relacionamento, quando algo se quebra, alguém sempre tem que se culpar, assumir o erro. Mas, sinceramente, cansei de procurar meu erro, quando acontece algo assim, duas pessoas erraram, pois, qualquer relação precisa de duas (ou mais) pessoas. Parei de procurar o erro quando me dei conta que Deus só nos dá aquilo que Ele acha que somos capazes de carregar, assumir, suportar. E, também, quando Ele acha que o tempo que determinou para tal fato existir, chegou ao seu final, cumpriu seu propósito nessa vida terrena. Já lamentei muito essas rachaduras e, já chorei, sinceramente - não tenho vergonha de assumir isso, mas, hoje, nesse momento, agradeço por essas pessoas terem feito parte da minha vida, terem estado ao meu lado e dividido momentos legais - e até aqueles em que o desespero bateu - comigo. Desejo que cada uma dessas pessoas encontre a felicidade em tudo o que for fazer e sejam plenas de vida, eu estou sendo e muito. E, nas reflexões anuais, percebe-se que o que se perde de um lado, ganha-se em dobro do outro - eu ganhei. Entraram pessoas muito especiais na minha vida e, mesmo que essas amizades não cheguem aos 20, 30 anos das que perdi, com certeza elas são tão importantes quanto. Se " todo mundo tá feliz", só a Xuxa para dizer...mas, eu, de verdade e, sempre agradecendo a Deus pela oportunidade de estar vivendo tudo isso, estou feliz, em paz com minha consciência e meu coração. Se tiver alguma culpa entranhada, um dia essas faltas serão expiadas na eternidade. Que nosso ano - que está acabando, continue iluminado e repleto de bênçãos, momentos de alegria e cumplicidade, fé e emoção.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Viajando no Papo dos Outros



Ando em um momento "imã" para todo tipo de conversa, onde quer que eu esteja, em cada ida ou retorno do trabalho, meus ouvidos resolvem captar todo tipo de assunto. É tanta informação que, em alguns casos, dá uma vontade louca de dar um pitaco nos assuntos que é difícil segurar a língua. Ouvi que a "Ariela" não respeita ninguém, é mal-educada e o "Fulano" é um boca aberta, não diz nada, não chama a atenção dela...What??? O que a criatura fez??? Baixaram a voz porque???Droga, o som da lotação é mais alto que a voz da mulher que reclama da tal Ariela - bonito nome, aliás. Teve o cara que, de dentro do ônibus, resolveu ligar para algum lugar e reclamar da carne - da carne, você entendeu?? - com um sotaque nordestino tri forte, carregado naquela malemolencia característica das terras lá de cima. A reclamação continuou: disse que o macarrão virou uma papa horrorosa e, comparou o tal macarrão a massa de passar no carro, para consertar algumas partes da lataria - não estou exagerando, ele deu todos esses detalhes, pelo celular. Falava alto, perguntava se atendente conseguia ouvir e entender o que ele estava falando e, eu, assim como alguns passageiros sentados próximos a ele, estávamos fazendo o possível e o impossível para não caírmos na gargalhada. A situação era bizarra. E, no final, não vou saber se a reclamação foi bem recebida, se resolveram a situação e, o mais importante, qual a ligação da tal carne - já que ele reclamou de um açougue, com o macarrão ter virado papa. O boi que virou carne comeu algum tipo de coisa tóxica que derreteu o macarrão? A carne não era Friboi? Ah, e a melhor foram duas mulheres que embarcaram no ônibus, sentaram atrás de mim e começaram a conversar. Uma delas começou a contar sobre algo que tinha lido no jornal, antes de sair de casa e, enquanto falava, ria, ria muito. Era sobre um taxista que comprou um táxi novo e os primeiros passageiros foram duas mulheres com os filhos e, uma delas troca a criança, depois descem e ele começa a sentir um cheiro ruim dentro do carro. Pára o táxi, revisa o carro e descobre que a mulher esqueceu a fralda premiada da criança, embaixo do banco. Gente, eu ouvia ela contar e rir ao mesmo tempo que, sinceramente, quase virei para trás para rir junto, me enturmar e descobrir onde ela havia lido sobre aquilo. Desci antes delas, mas, a viagem foi divertida, aliás, todas têm sido, pois, mesmo sem saber, as pessoas proporcionam momentos de muita descontração e, mesmo que por segundos estejamos com raiva, frustrados, desesperançosos, essas viagens fazem tudo virar pó e dão um "up" no astral e melhoram nosso ânimo. Toda viagem descontraída acaba valendo a pena e fazendo o dia passar mais rápido. 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Andando em Rodas


Andar de ônibus, lotação, trem ou qualquer meio de transporte com rodas, que não seja uma cadeira, claro, torna as viagens muito divertidas, interessantes e, algumas vezes, esclarecedoras. A semana fica cheia de pequenos e rápidos momentos que duram, exatamente, o tempo da viagem e que podem dar o tom de como será nosso dia. Na segunda-feira, sentados no banco em frente ao meu, vinham dois pombinhos, totalmente envolvidos um no outro, arrulhando como se fossem as únicas pessoas dentro da lotação e esfregando na cara de todo mundo que estavam apaixonados – na verdade, na minha cara, pois estava sentada atrás deles e, se resolvessem deitar o banco, eu estava ralada, pois a cenas de beijos, afagos e sei lá mais o quê, ficaria mais explícita ainda...Não sou contra o amor ou, a demonstração dele em público, mas precisa ser às 07h30min de uma segunda-feira, cinzenta, úmida, com cara de que vai ser muito chata? Precisam ficar soltando coracõezinhos sob suas cabeças a cada pegar de mão, beijo na bochecha, afago no cabelo? Não desacreditei do amor, não...juro! Mas, na segunda, todo mau humor é perdoado, né? Então, me deu vontade de cutucar os dois e dizer que aquilo vai passar logo, aquela paixão não é eterna, aproveitem enquanto existe todo esse fogo, essa loucura um pelo outro e por estarem juntos....Que maldade! Mas, era segunda, lembram??? Bem, quando desci, todo o sentimento de revolta – e um pouco de invejinha – já tinha virado cinza, como o dia lá fora e, pasmem, a segunda foi light, tranquilaça......rsrsrs...Na terça, o motorista da lotação foi o personagem do dia, mas, totalmente “crazy” – ele fala sozinho, expõe as idéias sobre moradores de rua e o Governo, dá soluções para os problemas de ambos e fala, fala e fala....sem retorno de ninguém....É um cara tri novo, mas, como não é a primeira vez que pego a lotação com ele, percebi que deve ter algum problema....olha, certinho, certinho, ele não é, mas, com certeza, revoltadésimo total, com tudo....E, enquanto ele queria acabar com os moradores de rua que não aceitariam receber a ajuda que ele, supostamente, daria se conseguisse que o Governo ouvisse suas idéias, eu vinha rezando para que Deus não resolvesse puni-lo,  por dizer tanta besteira, comigo dentro da lotação.....Ei, sou do lado “bom da força”, Senhor....Não tenho nada a ver com os devaneios desse condutor maluco. Quando chegamos ao centro, ufa....respirei aliviada e, quase arrulhando como os pombinhos de segunda, soltando coraçõezinhos em agradecimento por ter descido inteira e sem ter pego toda aquela frustração visível e palpável que o rapaz exalava pelos poros. Ótima semana a todos nós!!!!

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Bingo...Bingo...



Meu pai foi fazer um exame hoje e, como precisava de um acompanhante, fui junto - aliás, mesmo quando não precisa, me faço presente, porque, pai e mãe são nossas preciosidades, somos resultados dessa união, então, tudo que fizermos por eles, é muito pouco perto de tudo que passaram e já fizeram por nós. Voltando à sala de espera dos exames...fiquei prestando atenção no número de idosos que aguardavam sua vez de ser encaminhado a sala de seu exame e, percebi que, a maioria estava desacompanhada, enquanto outros tinham até duas pessoas junto, zelando para que a pessoa se sentisse confortada quando saísse da sala a qual havia entrado. Bem, enquanto aguardava meu pai, notei que algumas, quando chamavam o número de sua senha, saltavam sorridentes e felizes, balançando suas senhas como se tivessem sido premiadas no bingo. Como pode isso?? Gente, era apenas uma chamada para realizar um exame e, pelo que senti do povo que estava ali, exames bem chatos, alguns dolorosos e demorados e, parecia que estavam entrando em um parque de diversões. Mas, ao mesmo tempo que acho essa alegria exagerada e estranha, no fundo, faz sentido; envelhecer é tão cansativo, exige tantas coisas, necessita de pessoas disponíveis, precisa de esforço para encarar o dia-a-dia, a solidão, as modernidades da vida, as dificuldades do viver. Então, o jeito é deixar os velhinhos se divertirem, curtirem o momento, obter ótimos resultados e tocar suas vidas, desejando que estejam acompanhados por pessoas que os respeitem, amem e se preocupem com sua segurança e bem estar. Um dia chegarei lá, também, faceira e pronta para pular quando o número de minha senha for chamada. BINGO!!!



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Meu Sobrinho-Neto-Afilhado


Meu sobrinho-neto-afilhado acabou de completar 01 aninho. Fico olhando para aquele serzinho crescendo, descobrindo o mundo ao seu redor, tentando se equilibrar nos primeiros passos - ainda muito incertos e, observando e absorvendo tudo ainda com um olhar inocente, totalmente puro. Olho e lembro do impacto que senti quando soube da gravidez da minha sobrinha, um pouco filha também e, a semana que sofri, pensando em tudo o que ela estava desistindo de fazer em prol dessa gravidez, planejada ou não, fiquei pensando nas oportunidades que perderia, viagens, trabalhos, momentos na idade dela que, infelizmente, só se vive uma vez. Depois do choque, de reflexões, de muito olhar para dentro de mim e questionar minha própria atitude, percebi que, mesmo ainda abalada, eu precisaria estar ao lado dela, participar desse momento tão iluminado para tantas mulheres. Fiz isso! Ligava, papeava, saía para lanchar, acompanhava nas consultas, enfim, me aproximei e conquistei o espaço de tia-avó que já era meu por direito. E, hoje, 01 ano depois, descobri que todo aquele medo e impacto que senti quando soube da gravidez, foram infundados – não totalmente, porque ter medo do desconhecido faz parte da nossa essência. Percebi que minha sobrinha, apesar de seus 21 anos, é uma mulher madura, preocupada com o bem estar de sua cria, uma mãe dedicada, apaixonada e que, se for preciso, defenderá aquele ser indefeso, com unhas, dentes e o que tiver pela frente. Me descobri encantada e apaixonada pelo pequenino que veio trazer muitas alegrias para todos nós, que nos aproximou mais, que fortaleceu ainda mais os laços familiares. E, no primeiro aninho dele, vendo todo aquele filme passar diante dos meus olhos, chorei. Chorei de emoção por ver o quanto minha sobrinha havia conquistado de maturidade e maternidade, mas, principalmente, chorei por lembrar de uma pessoa que, com certeza, de onde está e tanto quanto um de nós,  também está orgulhosa dessa neta que tanto amou e, apaixonada por esse bisneto que não conheceu nesse plano físico: minha mãe. Emoção é amor. Emoção é tudo na nossa vida. Emoção, para mim, é a certeza de que tudo está dando certo. E tudo está, com certeza!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A Janela Fica Aberta!!!


Como é difícil a convivência com quem nos cerca, não concordam? Fico observando algumas coisas no dia-a-dia e, infelizmente, percebo que o mundo anda sem paciência, sem finesse, sem educação ou respeito ao próximo. Outro dia, entrei na lotação, sentei na “cozinha” (para poder abrir a janela sem ninguém encher o saco, pois, o povo parece ter medo de vento na cara) e, de repente, entra um cidadão, cara amarrada, vem direto para o fundo da lotação, senta, deixando um banco de espaço entre nós e, sem cerimônia nenhuma, estende o braço e fecha a janela, num puxão só. Assim. Sem sequer pedir licença. Eu, como uma pessoa educada, olhei para ele e disse que não dava para deixar a janela fechada, pois não havia mais nenhuma aberta e estava abafado ali dentro. Ele, com uma simpatia de fazer o pior dos algozes chorar de joelhos, disse: “então abra que o vento pegue só em você”. Na hora, me deu vontade de mandar ele para bem longe; não um longe legal, mas um longe onde ele se ferrasse de vez, mas, o ser superior dentro de mim, falou mais alto e, simplesmente abri a janela, com um vão menor para não melindrar o Senhor ao meu lado e fiquei na minha, bem quieta, desejando que encharcasse a careca quando descesse. O cara era jovem, mas, totalmente emburrado, com semblante envelhecido e, pela reação à janela aberta, totalmente, também, destemperado de calor corporal e bom humor. Se já não é fácil conviver com as pessoas que pensam como nós, imagina com quem pensa diferente? Mas, acho que a questão maior, ainda, é a educação, a falta de tentar entender o outro, aceitar os defeitos alheios e os seus próprios. Tudo seria mais fácil se as pessoas se ajudassem, se doassem e usassem um pouco do que existe de humanidade dentro do seu cérebro. Infelizmente, enquanto existirem trogloditas como meu companheiro de lotação, o mundo vai continuar acinzentado e cheio de gente mal-humorada e mal-amada. Não dá para generalizar, claro, mas, temos que ter jogo de cintura para que essa “infelicidade” não seja contagiosa.